Vejamos alguns dados desta realidade gritante.
. No mundo, aproximadamente 40.000 crianças morrem todos os dias, das conseqüências decorrentes da subnutrição. Muitos sofrem também com as intoxicações do ambiente onde vivem.
. Milhões de meninos e meninas, procuram sobreviver nas ruas das grandes cidades. Em muitos lugares, são vistos como descartáveis e incômodas, por isso, eliminadas por forças paramilitares.
. O antigo secretário geral das Nações Unidas, Boutros Boutros-Ghali, prevê a possibilidade de uma nova guerra mundial desencadeada pela luta por água potável.
. Muitas nações ricas "exportam" o seu lixo tóxico para os países pobres, onde é estocado sem as devidas precauções, envenenando o meio ambiente. Ninguém controla a "descarga" de lixo industrial e de radioativos nos mares. As conseqüências, ainda nem começamos a sentir.
. A camada de OZÔNIO, este manto protetor de toda a terra, uma espécie de segunda pela, que nos protege da ação nociva dos raios ultra-violetas do sol, está sendo destruída pelos gazes de escape, produzidos sobretudo nos países industrializados, pelas industrias e pelos automóveis. As conseqüências mais comuns verificadas até agora, são o câncer de pele em humanos e em animais, e ainda a cegueira em animais de vida mais livre, como ovelhas, cangurus e coelhos.
. CO2 e outros gases com efeito "estufa", contribuem para que a temperatura climática da terra vá aumentando. O gelo nos pólos derretendo; países ou ilhas de superfície baixa, como Bangladesh e as ilhas do Oceano Pacífico, vão afundando-se no mar. Ao mesmo tempo crescem as regiões desérticas. O futuro nos reserva megacatástrofes ecológicas, sem precedentes. Há também, quem pense que a crise ecológica se confunde com a crise religiosa, desencadeada, entre outras causas, pela compreensão equivocada do relato da Criação, como consta no livro do Gênesis, sobretudo quando diz que Deus manda o homem "encher a terra e subjuga-la" (Gn 1,28). É interpretada como se tratasse de uma permissão sem restrições de usar e de abusar da terra e de explora-la indiscriminadamente. O texto sagrado, pelo contrário, é o convite para zelar cuidadosamente da terra, como dignos administradores que representam ao Deus Criador.
Entretanto, já nos anos ’60, surgiu a convicção de que a crise ecológica só poderia ser superada por meio de uma nova orientação religiosa. Na opinião de Lynn White, essa nova visão já foi vivida exemplarmente por Francisco de Assis. Por isso, ele propôs São Francisco como padroeiro da ecologia. E em 1979, o Papa João Paulo II concordou com essa idéia, assumindo-a e declarando Francisco e Assis, padroeiro mundial do meio ambiente.
Os exemplos dados por Francisco e também por Clara de Assis, são na verdade, um grande convite para viver como uma família harmoniosamente unida, segundo a vontade de Deus. Como verdadeiros irmãos e irmãs, todos os seres humanos e todas as criaturas em geral devem reconciliados com Deus. As inimizades entre as pessoas, ou famílias inteiras, entre grupos humanos ou nações são profundamente nocivas. As guerras modernas, os atos de terrorismo e violência, o ódio, a ganância e o repúdio aos estrangeiros, tudo isso e muito mais, são provas da total indisposição para amar.
Pelo exemplo da vida e da pessoa de Francisco de Assis, somos convidados de modo muito concreto e insistente a respeitar todas as criaturas. O professor Hans Mislin e sua aluna Sophie Latour, comentam: "No início, Francisco tinha a intuição de que os seres humanos não são senão uma parte de um todo que é muito maior do que eles. A conseqüência lógica é que todos os âmbitos e esferas da vida tem um sentido próprio; e a sua justificação lhes vem de sua pertença ao reino sobrenatural e espiritual de Deus. A forma de vida franciscana, que reconhece nas outras criaturas, autênticos parceiros, é por isso mesmo de grande importância para nós".
Todos os seres são irmãos e irmãs. (1Celano 81)
"Quando Francisco encontrava muitas flores juntas, pregava para elas e as convidava a louvar o Senhor como se fossem racionais. Da mesma maneira, convidava com muita simplicidade os trigais e as vinhas, as pedras, os bosques e tudo que há de bonito nos campos, as nascentes e tudo que há de verde nos jardins, a terra e o fogo, o ar e o vento, para que tivessem muito amor e fossem generosos e prestativos. Afinal, chamava todas as criaturas de irmãs, e de uma maneira especial, por ninguém experimentada, descobria os segredos do coração das criaturas, porque na verdade parecia já estar gozando a liberdade gloriosa dos filhos de Deus" (1Cel 81). |