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Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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  10.12
CRER SEM COMPROMISSO MORAL

CRER SEM COMPROMISSO MORAL.

Vivemos um tempo do “tudo pode”, e do “pecado não existe”... Os costumes são pautados pelas novelas, pela moda, pela imposição do mercado. Com freqüência, a única escola de formação de valores não está ligada à fonte de todos os valores, Deus, mas aos que podem mais. E os escândalos econômicos hoje estão na ordem do dia, e são os que chamam atenção, porque os outros, de ordem mais pessoal, familiar, não chamam atenção porque fazem parte do dia a dia, a não ser que sejam manipulados em guerra política.
A imoralidade no campo do que vem contemplado no sexto e nono mandamentos campeia abertamente como valor conquistado, como sinal de independência, como expressão de emancipação da tutela da Igreja. Isso mesmo, da tutela da Igreja Católica, fiel guarda da Palavra de Deus.
Hoje, todos apelam para a Bíblia, Palavra de Deus, mas por covardia, por interesses outros, muitas passagens são postas entre parêntese.
E a Igreja irá fazer sempre o mesmo discurso da Palavra de Deus. Se é Palavra de Deus, somente ele poderia muda-la. Enquanto isso não acontecer, a Igreja repete a frase de Maria: eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa Palavra.
Por certo é do desejo de muitos que a Igreja se atualizasse, isto é, deixasse de anunciar a virtude para enaltecer o vício. A estes, queremos dizer com toda a força que Paulo colocou no seu discurso aos corintios: Nós anunciamos Cristo, e Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gregos. No mundo dos sábios gregos modernos que conhecem toda ciência, e no mundo dos escandalizados humanistas do comodismo e bem estar, a Cruz de Cristo referencia a todos qual o caminho de Deus, qual o caminho da salvação. Não há outro. São Paulo fala também dos inimigos da cruz de Cristo.
São Paulo que é o maior explanador da verdade do evangelho, repete inúmeras vezes, todas as vezes que encontra o problema nas comunidades, a questão da ética cristã em relação ao matrimonio, ao relacionamento entre os sexos, ou seja, a moral sexual em geral.
E é sempre taxativo: Tudo posso fazer, mas nem tudo convém que eu o faça... o corpo não é para a fornicação... vossos corpos são membros de Cristo...fugi da fornicação. Todo outro pecado que o homem cometer é exterior ao corpo; aquele, porém que se entrega à fornicação, peca contra seu próprio corpo (I Cor 6,12-20).(cf. Cl 3,5;Gl 5,19)
A relação sexual entre solteiros, que vem com o nome de fornicação, ele a coloca como um dos elementos de idolatria, de recusa de Deus, de negação da verdade (cf Rm 1,24-25).
Por certo, ele fala de outras deficiências desta área, - e explicitamente -, fazendo entender que quem se autoriza a mexer na Palavra de Deus está correndo em estrada errada, como citamos em Rm 1,25s. Neste sentido leia I Cor 5,1-13; Rm 1,26-32; 2,22; 13,9; Gl 5,21).
A ética cristã não se fundamenta em proibições, embora isso pareça evidente a quem vive na outra dimensão, mas no sentido da pessoa humana, como um todo sujeito de relações. A Igreja, a partir dos dados bíblicos afirma sua fé na ressurreição, e é partir desta globalidade da pessoa que não se pode reduzir o ser humano a um corpo de prazeres.
Por certo, hoje se legitima tudo em campo de sexo, vivemos o pan-genitalismo, com suas manifestações que implicam cadeia, a pedofilia por exemplo. Semeia-se a pornografia e depois se passa fazendo a colheita daquilo que só consideramos errado quando nos atinge de alguma forma. Tudo pode, é o slogan consciente ou inconscientemente divulgado na mídia.
Num caderno da Folha de S. Paulo (sexo em família) de fins de novembro, era feita uma análise de uma cartunista que trabalhava com liberdade a questão. No desenho central, desafiadoramente aparecia a frase: Deixe seu Deus longe do meu corpo... Por certo, o “corpo é para o Senhor”, lembra Paulo, e por isso mesmo, é candidato a sua plenitude na ressurreição, nos moldes de Jesus Cristo. Somos candidatos à ressurreição, aceitamos a semente da ressurreição pelo batismo e fé em Jesus Cristo.
Ainda que esta seja a sina para todos, nem todos optam pelo definitivo. Há quem se proclama independente da fé da Igreja, há quem se proclama agnóstico.
Como Paulo, outrora, a Igreja hoje volta a repetir: anunciamos Cristo e Cristo crucificado... escândalo... loucura.
Concluindo, ainda com Paulo: há muitos dos quais já vos disse, e repito agora chorando, que são inimigos da Cruz de Cristo: seu fim é a destruição, seu deus é o ventre; sua glória está no que é vergonhoso, e seus pensamentos no que está sobre a terra.
Mas a nossa cidade está nos céus, onde também esperamos ansiosamente como Salvador o Senhor Jesus que transformará nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso (Fl 3,18-21)


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