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Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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  10.12
PARTICIPAÇÃO ATIVA


PARTICIPAÇÃO ATIVA.

Todos quantos se sentem seriamente informados sobre liturgia, já ouviram falar muitas vezes que a Reforma Litúrgica proposta pelo Vaticano II pede “participação ativa, consciente e piedosa”.
À medida que se faz estrada, mais se aprofunda os conceitos básicos. A Palavra de Deus é sempre a mesma e se faz sempre nova...
Estamos em tempos de pós Aparecida (Celam V), e aí nos vem dito como um refrão que ressoa aos ouvidos: discípulos e missionários de Jesus...
Na SaC o papa também fala da participação ativa, primeiramente apontando para o êxito da mesma participação. Isto á, para que haja participação ativa não se entende apenas uma participação ritual, exterior, abrilhantando o culto para os outros. Antes, uma participação ativa supõe o espírito de constante conversão que deve caracterizar a vida de todos os fiéis (n.55). Uma participação superficial, sem levar para a vida não pode receber o nome de participação ativa...
No segundo domingo de Advento, João Batista gritava contra a participação vazia dos fariseus. Como estes seguiam a trilha dos que buscavam a conversão mas apenas ritualizavam a penitência e não viviam a conversão, João os classifica de raça de víboras...e exige deles dignos frutos de arrependimento... porque não é suficiente dizer Abraão é nosso Pai.... (Cf Mt 3,4-10). O texto de Mateus esclarece bem o que vem a ser uma participação ativa...
Mas esta participação ativa, que supõe a conversão pessoal precedente e conseqüente à celebração – o culto do sacerdócio universal de todo batizado – implica uma outra dimensão, a participação ativa na vida eclesial. Por isso, lembrei acima, a questão de Aparecida: discípulo missionário de Jesus. O discípulo de Jesus não é aquele que somente reza ou canta, mas o que é discípulo de Jesus: Jesus vivia a maior parte de sua vida como servidor do povo, no serviço de amor ao próximo, de bom samaritano acolhendo a todos os necessitados, evangelizando com a palavra e com atitudes...
Neste sentido, a eucaristia só pode ser um sacramento dinâmico: comungar implica ir ao encontro do Senhor para que ele repita em nós seu agir histórico, insira em nossas vidas o seu espírito de disponibilidade concreta.
Então, não é discípulo quem não é missionário. E dentro desta afirmação, vem uma questão: quem não quer ser missionário pode comungar? A resposta seria: pode, desde que queira ser missionário, desde que descubra que comungar é receber o Jesus vivo, que continua sendo o do evangelho no tempo depois da sua ressurreição, agora na Igreja.
No citado número da SaC o papa reafirma: de modo particular, é preciso alertar os fiéis que não se pode verificar uma participação ativa nos santos mistérios, se ao mesmo tempo não se procurar tomar parte ativa na vida eclesial em toda sua amplitude, incluindo o compromisso missionário de levar o amor de Cristo para o meio da sociedade.
E na seqüência, o papa – qual João Batista – alerta para que se tome cuidado de não se viver um certo automatismo de se comungar pelo simples fato de se estar numa liturgia.
O documento de Aparecida, ao falar do caminho de formação do discípulo de Jesus, depois de afirmar que a eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus, e insistir no vínculo que une as três dimensões da vocação cristã (crer, celebrar, e viver o mistério de Jesus), reafirma a centralidade do mistério pascal de Cristo através da Eucaristia, de maneira que toda a sua vida seja cada vez mais vida eucarística. E conclui com a grande afirmação para uma participação ativa: A eucaristia, fonte inesgotável da vocação cristã é, ao mesmo tempo, fonte inextinguível do impulso missionário. Aí, o Espírito santo fortalece a identidade do discípulo e desperta nele a decidida vontade de anunciar com audácia aos demais o que tem escutado e vivido (Apda n. 251).
Sem dúvida, este ardor missionário decorrente da eucaristia, encontramos espalhado em toda a Igreja, em todos os segmentos do existir eclesial, e também dentro da vida dos ministros da Sagrada Comunhão.
Contudo, buscando a plenitude do ser cristão (=a quem muito foi dado, mais será exigido), é lícito dirigir-nos a nós mesmos e perguntar se a forma como conduzimos nosso existir eclesial corresponde e realiza esta participação ativa a que o Papa se refere... ou se fica a desejar.
Que é ser cristão? É possível ser cristão sem uma inserção ativa na vida da comunidade? Qual o significado de uma eucaristia que não faz viver? Por que comungar (comum união com Cristo) se depois não vivemos com Cristo?
Sugestão: 1). Ler Documento de Aparecida, nn. 250-=252.
2). Ler Sacramentum Caritatis, nn.52 e 55.



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