
Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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24.11
O ANO LITÚRGICO
O ANO LITURGICO.
Normalmente as lideranças da Igreja ouvem falar do Ano Litúrgico em seus momentos de formação permanente.
Mas, parece que se ouve no momento do curso, e não passa disso. O que vem a ser realmente o “Ano Litúrgico”?... Para muita gente é apenas um calendário da Igreja paralelo ou inserido no calendário civil. Como Calendário, até que pode ser isso. Mas quando falamos de Ano Litúrgico, entendemos o tempo em outra dimensão. Quando o Verbo se fez carne, ele se fez história, e é o eixo desta história que nós chamamos de História da Salvação, e Cristo continua sua obra salvifica de dentro da história, de dentro do tempo e com o próprio tempo. Isso implica em fazer do tempo um tempo cristológico.
Então, ao longo do ano, a liturgia faz memória viva desta história, ou melhor, permite que o povo de Deus se encontre com o Ressuscitado celebrando a salvação dentro do tempo. O Cristo não é figura do passado, e que nós recordamos como recordação em datas pré-fixadas... Com a celebração litúrgica, ancorada no Ano Litúrgico, a comunidade cristã não vive de histórias do passado, mas participa, ao vivo das riquezas do poder santificador e dos méritos de seu Senhor que “alguma forma, os torna presente em todo tempo para que os fiéis entrem em contato com eles” (SC 102).
Então, não é possível uma verdadeira espiritualidade na Igreja, sem que a organizemos dentro do ano litúrgico, que faz da comunidade uma comunidade de espiritualidade eclesial. Por certo, cada qual expressa sua fé e sentimentos de fé ao seu modo, com suas preferências, mas isso não deve isolar o fiel da celebração do mistério da Igreja no seu núcleo essencial, o mistério Pascal. Tal significa que, mesmo tendo espiritualidades específicas de movimentos, estas não podem ser conduzidas à margem da espiritualidade litúrgica, eclesial. É nesta que toda espiritualidade adquire sua consistência e aderência ao mistério de Cristo presente no tempo
Este Mistério é celebrado semanalmente em cada domingo, e cada domingo é como que uma faceta do mistério de Cristo total, e é inserido no ciclo litúrgico anual.
Isso leva o cristão a enfocar o dia do Senhor não como um avulso, mas como um item indispensável de sua celebração total ao Senhor. Não celebrar um domingo implicaria quebrar a roda e dificultar o encontro pleno com o Ressuscitado.
No assim chamado Ano litúrgico nós temos dois eixos fundamentais, o ciclo da páscoa e o ciclo do Natal. Os dois possuem um tempo de preparação. Para Páscoa nós temos a Quaresma. Para o Natal, nos é dado o tempo do Advento.
Por certo, nos inícios não havia a Páscoa anual, nem se recordava o Natal do Senhor. O eixo era dado pelo dia do Senhor, pelo domingo. Em cada domingo tudo era celebrado nele. Somente mais tarde se estabelece um dia especial para uma solene celebração da páscoa anual. E ainda mais tarde, começa-se a celebrar o natal do Senhor.
Como neste mês estamos celebraremos o Natal, e estamos em Advento, reflitamos um pouco sobre este tempo tão especial.
A palavra Advento faz entender um acontecimento que está sendo esperado e de imediato. A celebração do Advento litúrgico teve início no século IV com dois enfoques: o advento do nascimento de Jesus em Belém, e paralelamente, a assim chamada segunda vinda de Jesus, ou o advento escatológico, a vinda de Jesus no final dos tempos.
O Advento compreende quatro domingos e se apresenta como uma grande unidade; basta olhar que teremos a presença do profeta Isaias diariamente em quase todo este tempo. Contudo, podemos subdividi-lo em dois momentos significativos. O primeiro vai até o dia 16 de dezembro, evidenciando o aspecto escatológico orientando para a segunda vinda do Salvador. E o segundo, vai do dia 17 ao 24, como preparação imediata ao Santo Natal.
Três figuras chamam atenção, neste tempo: Isaías, João Batista e Maria Santíssima.
Isaias que, com sua palavra, coloca o tema da esperança perene para os homens de todos os tempos.
João Batista, o último dos profetas, aparece como que a síntese do passado e se abre para o novo como o Precursor.
E Maria Santíssima, que coopera, admiravelmente no mistério da Redenção. Não se trata de colocar Maria aí por devocionismo, mas de contempla-la “de dentro da redenção”; ela é parte indissociável do mistério da salvação em andamento. A festa da Imaculada – 08.12 – não é um parêntese, mas parte do mistério.
A comunidade cristã, neste tempo, é chamada a viver uma espiritualidade de vigilância, de alegre esperança e de conversão... isso aparece, diariamente, nos textos litúrgicos. Deus que entra na história, coloca o homem em questão. O Filho de Deus, entrando no mundo, exige tomada de posição; a novidade do evangelho exige um despertar imediato do sono (Rm 13,11-14).
O tempo do Advento, desafia a comunidade cristã, (e logicamente os ministros) a se colocar como alternativa a uma sociedade que vive só do presente, do consumo, de papai noel, e de prazeres do comer, beber, vestir-se e morrer... Como será seu Natal? O tempo do Advento não pode ser apenas uma liturgia da Igreja, é um tempo para você acertar os passos com o Cristo que está às portas... o participar das novenas de Natal é uma forma possível de viver o Advento... Quem se omite, sem razões, deveria rever sua postura de afirmar-se cristão
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