
Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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25.05
SE O PAPA FOSSE CASADO...
SE O PAPA FOSSE CASADO...
Podemos dizer que a visita do papa ao Brasil foi um sucesso. Vejamos porque!
Primeiramente, o papa não veio ao Brasil para canonizar o F. Galvão; apenas os bispos solicitaram que aproveitasse a viagem à V Celam e desse ênfase a essa canonização, o primeiro santo brasileiro O papa veio para confirmar a fé dos que seguem o Cristo segundo a pregação do Evangelho segundo a ininterrupta caminhada da Igreja dos apóstolos até hoje.
Então, é evidente que o papa iria anunciar aquilo que a Igreja sempre pregou, o evangelho de Jesus Cristo. E diante deste discurso, os posicionamentos são correspondentes ao posicionamento que se tem diante de Jesus Cristo mesmo.
Muitos se consideram cristãos, seguidores de Jesus Cristo, mas não conhecem o evangelho, apenas sabem piadas de Cristo, dos santos, mas não sabem o que Jesus ensinou. E se consideram libertos, modernos, democratas, ao defenderem o que lhes é impingido nas novelas de TV, no banditismo das grandes cidades, na libertinagem em todos os níveis, no desrespeito aos mais fundamentais valores da vida em comunidade.
Então, a visita do papa teve seu primeiro êxito nesta avalanche de posicionamentos perante sua fala. Todo mundo pode dizer o que pensa, o que sente, sobre a Igreja Católica. No que se disse cada qual revela o que é. Dizer-se católico e ser contra o ensino da Igreja, é estar fora da Igreja. Ninguém é obrigado a ser católico. Se discorda da ética evangélica pregada pela Igreja, ele é livre de ser de qualquer outra igreja. Valores éticos e doutrinais da Igreja não serão mudados por um plebiscito.
Então, a Igreja não precisa mais ex-comungar, - tirar da comunhão eclesial e da fila da comunhão – quem defende o aborto. Quem defende tal, já deve ter consciência de que está em pecado, está em ruptura com a Igreja... e se quiser entrar na fila da comunhão, pensando que é emancipado da doutrina da Igreja, ele está apenas não sabendo o que faz. E importaria lembrar a ele, o pedaço de pão da ultima ceia que Judas recebeu do próprio Jesus.
E na seqüência das criticas, vem casamento, divórcio, e tudo o mais...
E como os jornais e revistas insistem em publicar frases cretinas! – é claro, estamos em tempos de liberdade de imprensa, e cada um expressa sua pessoa como é . Assim, o ator Carlo Mossy, na Coluna Gente, do jornal O Globo dizia que o papa é contra o segundo casamento porque é solteiro. Se fosse casado, condenaria o primeiro também... Esta frase foi reproduzida pela revista Veja, n. 2009.
Um outro articulista (J.Simões) dizia mais ou menos o seguinte, na Folha de s. Paulo: eu queria ser católico, mas o papa não deixa: ele diz que sexo antes do casamento ou fora do casamento, não pode; que camisinha, não pode; que segunda união, não pode.. Então...
São frases de brincadeira, de piada, ou expressam o coração, a verdade da vida de quem as escreve?.. Em todo caso, se for para divertir, importa lembrar que tudo o que se fala ou escreve leva uma mensagem.
Então, vamos avançar no discurso, porque a questão afeta a todos os que seguem a Jesus Cristo.
Então, vamos ao evangelho de Mc 10, 1-12: Jesus não aceitou o divórcio por que era solteiro?... Ou por que, sendo o Filho de Deus, trouxe o verdadeiro projeto de Deus para a família?... Jesus, rebatendo a posição de Moisés, diz que o pecado sempre será entrave para se pensar na família, e que a família não é baseada no subjetivismo dos indivíduos, mas numa atitude de amor ao outro como pessoa feita à imagem de Deus.
E se poderia ir mais adiante, nas frases colocadas... então, Jesus teria afirmado o bem-aventurado os pobres porque deles é o Reino dos céus e condenado a ganância porque era pobre, por que não tinha propriedades?...(Mt 5,3).
Com esta leitura, de Jesus Cristo vai sobrar, de bom, apenas que ele era um curador barato que curava a doença dos pobres, e pode socorrer-nos hoje nestas mesmas necessidades.
Jesus deixa claro que o segui-lo implica revolucionar os princípios da vida que não sintonizam com o seu discurso, e radicalizar uma resposta. Ele o afirma: quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz de cada dia e me siga (Lc 9,23)... Não cometerás adultério... se você olhar para uma mulher com olhar de cobiça, já fez adultério em seu coração (Mt 5,28.31)..
Eu vos digo, amai vossos inimigos (Mt 6,44)... Não podeis servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24... buscai o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 5,33)... Entrai pela porta estreita, porque espaçoso é o caminho que conduz à perdição (Mt 7,13-14)...
Para ser cristão, discípulo de Jesus, importa a coragem de aceita-lo integralmente, e aceita-lo integralmente, começamos a faze-lo aceitando seu discurso: Por que me chamais ‘Senhor, Senhor”. Se não fazeis o que vos digo (Lc6,46)?... quem não está a meu favor está contra mim... (Lc 10,23)... deixa que os mortos enterrem seus mortos... tu, vai e anuncia o Reino de Deus: (Lc 9.59-62 ).
Por certo, toda a problemática levantada pela fala do papa, parte desta disjunção na vida do cristão entre o que Jesus pede e o que o mundo que nos cerca nos impõe. Seria bom lembrar o pensamento de Paulo, neste ponto: Não vos conformeis com os esquemas deste mundo... procurando discernir a vontade de Deus (Rm 12,2).
E concluindo, mais uma vez colocamos a frase de Jesus aos apóstolos, diante da deserção das multidões, na hora de um posicionamento das mesmas ao discurso sobre a eucaristia: E vós, não quereis também partir?... -A quem iríamos, Senhor, foi a posição corajosa, de fé, de Pedro, a quem queremos seguir o exemplo transmitido por Bento XVI. (cf Jo 6,67-68).
Ser católico hoje, é tão exigente, num mundo adverso á fé, quanto o foi, nos primeiros séculos de perseguição à Igreja no império romano. Os impérios mudam de endereço e de forma, mas não seu projeto.
Mas, afinal, você se posiciona em que direção, neste enredo de fé?
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