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Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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  27.03
PREPARANDO PARA FAZER O EXAME DE CONSCIENCIA

FAZER O EXAME DE CONSCIENCIA PARA DESCOBRIR O PERDÃO

Quem faz do “ser cristão” o ideal de sua vida, diariamente ele se confronta consigo mesmo, no final do dia, examinando-se no que não progrediu em relações positivas com os demais, consigo mesmo, e com Deus. é o exame de consciência diário, a melhor preparação para uma boa confissão.
Para um bom exame de consciência diário, é evidente que se faz necessário o contato com a Palavra de Deus, também diariamente. Ela é o espelho para minha vida, diz como devo ser ou viver. Poderíamos resumir esse objetivo “ser ou viver” numa frase de Paulo aos filipenses: “revestir-se dos sentimentos de Jesus”...
Isso dito, podemos passar a refletir como nos preparar imediatamente para uma confissão que deixe marcas de verdadeira reconciliação com Deus, isto é, ingressar numa nova forma de vida, “num novo viver”... se eu quero uma forma nova de vida, é porque eu reconheço que a forma de antes não era a melhor, ou a mais adequada ao evangelho. Se eu descubro isso, eu devo descobrir o caminho do perdão. Nesta descoberta deste caminho, importa considerar três momentos reveladores.

1). Acolher o olhar do outro. Para eu descobrir a profundidade do meu pecado, eu devo confrontar minha vida com a vida
de Jesus e o evangelho. Confrontando os meus desejos, os meus projetos, os meus comportamentos, aos desejos, aos projetos e aos comportamentos de Jesus, eu descobrirei tudo o que está em mim exigindo conversão de minha vida.
Então, numa preparação imediata, você deveria levar a Bíblia com você e ter tempo para você mesmo. Escolher um trecho (Filho Pródigo –Lc 15; bem-aventuranças- Mt 5,1-12; uma lista de pecados para refletir: Rm 1,2832-ou Gl 5,16-26; ou o ideal da vida cristã – Ef 4,17-31; ou um texto da paixão de Jesus, ou outro do gosto pessoal.

2.Uma palavra que vem de Deus. Para tomar consciência de Jesus, de seu amor, das suas exigências, a leitura dos evangelhos permanece um meio indispensável. Como falamos acima, se Jesus não é a meta da minha vida, meta a ser buscada constantemente como razão principal do viver, então tudo se torna superficial, e a confissão será apenas um ato mecânico, sem vida. O evangelho nos propõe a vida de Jesus, não a história de Jesus... Jesus viveu uma vida que se torna padrão para quem quiser ser seu discípulo: “ter o jeito de Jesus”... Nós estudamos o evangelho para compreender o agir de Jesus, mas, sobretudo rezamos o evangelho quando Jesus nos fala como devemos ser a partir do que ele viveu por primeiro.

3) Um perdão sempre re-proposto. Muitas vezes, dizemos: “são sempre os mesmos pecados que vou confessar...” Sem dúvida, os pecados podem ser os mesmos, mas nossa posição diante deles deve ir mudando... um desejo sincero de que eles sumam de nossa vida vem sempre acompanhado de iniciativas para que ele não renasça ou não volte com a força de antes. Então, em reflexões precedentes, vimos a necessidade de uma oração “realmente personalizada”, isto é, onde eu peço de verdade o “Senhor, tende piedade de nós”, um grito que vem do fundo da alma de quem sabe que o pecado faz a diferença com Cristo... Se não ocorre nenhum esforço, se não temos nenhum projeto para mudar de vida, isto é, adquirir o jeito de Jesus, fica a pergunta: por que confessar, então?
Por outro lado, se faço a minha parte, e o pecado se repete, não desanime... como a doença do pecado é muito forte, está colada na vida da gente, como um vírus no corpo, o remédio vai fazendo efeito aos poucos... continue acreditando na misericórdia divina, alimente seu projeto de conversão com a oração e a penitência, e o que parece impossível aos homens é possível a Deus... Importa que eu receba “muitos perdões” para que eu descubra que, de fato, sou amado. Ao me descobrir acolhido tal qual sou, eu começarei a me perdoar e a perdoar os demais... pois não existe felicidade maior do que amar perdoando.


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