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Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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  26.03
PREPARANDO PARA CONFESSAR-SE

PREPARANDO-SE PARA CONFESSAR-SE

Um principio que deve orientar nossa vida cristã: tudo o que eu fizer é importante, mas... o que importa mais não é o que eu faço para Deus, mas o que Deus faz para mim... A iniciativa é sempre de Deus que se doa a mim... eu sou sempre o ato segundo que acolhe o dom de Deus.

Quando você for preparar-se para a confissão, faz-se necessário não confundir três coisas:
-Sentimento de culpabilidade. É aquela reação do nosso psiquismo diante de situações que nos atingem pessoalmente e acontece num fato que não corresponde às nossas expectativas. No fundo, sinto dó de mim mesmo. Remorso não é contrição.
-Consciência da falta- esta não nasce de sentimentos incontrolados, mas procede da consciência do ser humano que tem consciência lúcida de uma falha; algo que deveria ter feito e não fez, ou deveria ter evitado e não evitou.
O sentido do pecado. A falha que, para uma pessoa sem fé, é apenas uma falta (perante sua consciência), toma dimensão de pecado para um homem de fé. A razão que fundamenta isso é que o homem de fé sabe que ele não é autônomo em forma absoluta, ele não existe em si mesmo, ele existe com e para Deus. Então só pode existir pecado nesta referência radical com este alguém que é mais interior a nós do que nós mesmos:Deus. E para o cristão: o Deus de Jesus Cristo....
Somente nesta terceira dimensão, alguém está em condições de buscar o sacramento da confissão.

O sacramento da confissão não é um ato pontual, ele não acontece num instante preciso... este sacramento envolve um processo mais amplo onde o “ter tempo” para si é fundamental.
Para isso, podemos colocar quatro momentos:
-conversão: é a decisão de mudança radical da orientação da própria vida, ou um re-assumir esta orientação em nível mais profundo, para quem já está na caminhada.
-Penitência: expressa aquele conjunto de atos da pessoa pelos quais esta mudança de orientação se realiza e frutifica ao longo da vida... pode e deve preceder a confissão, o momento do ato sacramental, mas, necessariamente deve continuar no depois da confissão... o ministro da confissão sugere algo muito miúdo para pecados talvez graves... cada qual deve colaborar com a graça para vencer o pecado oferecendo a Deus o gesto de conversão permanente que é a dimensão penitencial da vida cristã. Sem que a pessoa se empenhe em algo concreto, percebe-se a pouca compreensão que se tem da confissão como início de vida nova.
Importa procurar gestos concretos de penitencia/conversão, na direção do amor ao próximo, do perdão mútuo na família, na comunidade, de partilha de algo com os necessitados, etc.
-Perdão – reenvia à iniciativa de Deus. O filho pródigo pode ir ao pai e mostrar arrependimento e pedir perdão... mas é sempre o Pai que concede o perdão e convida para o banquete.
- Reconciliação. O ato sacramental da confissão, nós o designamos como Reconciliação. Mas, aqui, queremos designar sobretudo a meta, o fim e o resultado de todo o processo: a amizade renovada, aprofundada, entre Deus e o homem.

Importa, pois, lembrar que:
-Falar somente de conversão ou penitência, corre-se o risco de centrar a atenção unicamente sobre os esforços do homem.
-Falar somente do perdão, corre-se o risco de conduzir a não ver outra coisa senão o dom de Deus, omitindo o que é importante no agir do homem.
-Falar somente de reconciliação, seria afirmar muito de pressa como algo adquirido aquilo que se realiza ao longo de um processo.
Para acontecer a reconciliação, não é suficiente que Deus queira perdoar o pecador; também não basta que o pecador lamente o que tenha feito. É necessário que perdão e arrependimento se somem num todo.



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