
Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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29.10
COM NOSSAS PRECES....
COM NOSSAS PRECES... DESCANSEM NO SENHOR.
Novembro lembra verdades importantes de nossa fé, de nosso credo: Creio na comunhão dos santos... creio na ressurreição dos mortos.
Temos a festa de todos os santos celebrada agora no primeiro domingo de novembro. E a tradicional memória dos falecidos no dia 02 de novembro.
São fatos que fazem meditar sobre o êxito da vida em Deus, como são os que já alcançaram a meta, os santos. E os túmulos dos nossos irmãos na fé, conhecidos, amigos, parentes, nos fazem pensar no sentido d vida, vida que tem uma finalidade pra lá do tempo presente, como a semente tem uma função pra lá da casca que a envolve.
Por certo, a memória dos mortos, não é um chorar sobre a lápide fria dos cemitérios, mas rezar para que Deus os acolha em seu Reino, dando-lhes a paz eterna. A Igreja, desde sempre falou e fala de que nossos pecados acarretam conseqüências, penas eternas e temporais. O perdão das penas eternas vem imediatamente pelo sangue de Cristo que nos alcança na confissão sacramental, onde Deus perdoa a culpa e a pena eterna que caberia ao pecado grave. Mas permanecem conseqüências destes pecados na ordem temporal, ou seja, propensão ao mal no sujeito que pecou, e das quais cada qual deverá ser purificado, com a participação pessoal ou da comunidade. Essa purificação acontece na vida terrena, ou no depois. Esse depois, na linguagem da Igreja vem chamado de purgatório que, como o céu ou o inferno, não é um lugar (embora falar de lugar facilite a compreensão), e sim uma condição, uma situação de não plena comunhão com Deus. Deus é três vezes santo, e ninguém faz comunhão plena com Deus sem a eliminação de toda sombra de pecado.
Se o individuo pecador não se purificar em vida, através da oração, da esmola, dos sacramentos, enfim, através dos meios que conduzem à purificação no Senhor, ele será purificado no purgatório. É então que entram as orações da comunidade e solidariedade fraterna. Importa lembrar que essas preces, e demais formas de sufrágio expressam nosso amor real aos falecidos.
É claro que não é só no “dia dos mortos” que se deve rezar por eles. Em todas as missas, há um momento em que se lembra deles, além é claro, das intenções particulares que são apresentadas em cada missa.
Então, o ir ao cemitério é um gesto bonito, de carinho e elegância humana e cristã. Contudo, não se pode esquecer o principal. Santo Agostinho, pelo ano de 420 escrevia: Os cuidados do sepultamento, a condição da sepultura, a pompa das exéquias, são mais conforto aos vivos do que ajuda aos mortos. Nem por isso, contudo, devem ser negligenciados, nem desprezado o corpo dos falecidos, dos quais se serviu santamente o espírito como órgão para todas as boas obras.
Sabemos que desde os inícios da Igreja se celebrava pelos mortos, e aos poucos cada região foi escolhendo uma data que permitisse celebrar coletivamente os falecidos. Mas foi no ano de 998, que o abade S. Odilon, da Abadia de Cluny, na França deu inicio a celebrar os falecidos no dia dois de novembro. Como o dia de todos os santos – todos os que estavam já na glória - era celebrado no dia primeiro de novembro, ele escreveu uma carta aos religiosos de sua ordem espalhados pelo mundo para que rezassem, no dia após o dia de Todos os Santos, memória dos demais falecidos ainda em trânsito para a comunhão plena com Deus... o rito se espraiou para fora dos mosteiros e logo foi assumido pela Igreja no mundo inteiro. E assim, temos já uma tradição litúrgica de 1.001 anos, de celebrar a memória solidária com os falecidos.
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