Você conhece o Informativo Paroquial Paz e Bem, o que está achando?

Ótimo
Bom
Regular

[votar]   [ver resultado]
 
 

Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

[veja mais fotos]

[conheça mais]
  22.09
IGREJA E MISSÃO

IGREJA E MISSÃO....

Todo aquele que se fez batizar, está se comprometendo a ser discípulo de Jesus. É a única razão para aceitar o batismo... Ser discípulo de Jesus não é ser um torcedor qualquer, ou ficar esperando alguma vantagem por ter recebido uma senha para alguma coisa... Ser discípulo, é entender que o Senhor nos chamou para o seu amor, e que este seu amor é a razão maior de nossa vida, de nossas lutas... Um cristão meia-boca, que evita graves pecados externos, está se equivocando porque pode estar em grande pecado pessoal de não fazer do Senhor a razão de sua vida... não soma com a vida do Senhor, vive autônomo, sem rumo maior...
Ser verdadeiramente discípulo de Jesus empenha acompanhá-lo em tudo, em toda parte, ser sua presença onde quer que estejamos. Em outras palavras quem é “discípulo, é também missionário”... se o segundo termo não estiver acoplado ao primeiro, seguramente o primeiro é falso....
O mundo, hoje, com suas múltiplas problemáticas humanas se constitui num desafio ao discípulo de Jesus... este mundo de homens torturados pelo medo, pela angústia, pelo desespero, constitui-se, por isso mesmo, num desafio a todo batizado a “avançar para águas mais profundas”, a sair do seu comodismo habitual de “uma prática de devoção fragmentada, de uma participação ocasional em alguns sacramentos, de um moralismo brando... de sentimentos de mesquinharia” (D.A. 12) diante da ingente tarefa que o amor impõe nesta hora....
É fundamental para ser discípulo de Jesus o “amai-vos como eu vos tenho amado”, o novo mandamento do Senhor. Ser cristão é ser discípulo de Jesus; ser discípulo é assumir seu programa de vida a favor dos outros, do mundo...
A Igreja vive atenta ao mundo do qual faz parte, e lê, em cada episódio negativo ou positivo, um apelo do Senhor para avançar mais, para se desinstalar, e ser missionária...
O Doc. de Aparecida fala de “missão” noventa e nove vezes. Utiliza a palavra “missionário” por bem cento e quarenta e seis vezes... Utiliza o termo “discípulo”, setenta e quatro vezes, e por bem cento e quatorze vezes a expressão já consagrada “discípulo-missionário”....
O mês de outubro está aí para que, num “mês temático” a responsabilidade da missão
e da evangelização seja refletida, desperte interesse, preocupação para que não sejamos cristãos apenas de crachá... Somos Igreja, na medida em que estamos inseridos no seu agir... “Queremos confirmar, mais uma vez que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja” (EN 14). A Igreja nasceu da ação evangelizadora de Cristo, somos como que “ramos” no tronco da videira, para produzirmos frutos conforme a seiva do tronco...
A Igreja evangelizadora, recordava Paulo VI, deve começar por evangelizar a si mesma, tem que ouvir continuamente aquilo que deve acreditar para poder ser o que deve ser no mundo, sinal da presença salvífica de Jesus no mundo... Não se é cristão por se receber algum sacramento, mesmo que com frequência, mas se o é quando se consegue conjugar a vida litúrgica, essencial ao batizado, com o seu agir em consonância com o sacramento recebido nas esferas da vida cotidiana a favor do Reino de Deus...
Em outras palavras, somos permanentemente enviados para a missão, somos sempre missionários de Jesus... O território da missão pode ser Humaitá ou a África, ou o seu quarteirão, ou o espaço do seu grupo de reflexão... Mas deve ficar claro, de braços cruzados na evangelização, nós negamos ser o que afirmamos ser... Missão é urgência: “Ai de mim se não evangelizar”, grita Paulo.... Em cada anoitecer, deveríamos fazer nosso exame de consciência não apenas na dimensão moralistica; “vi cenas pornográficas” ou “falei mal de alguém”, ou “enganei alguém”... mas também na dimensão teológico- salvífica: “evangelizei alguém hoje”?.. “fui a Boa-Nova” da salvação para quem conviveu comigo?...
Fique claro, uma vez por todas: não se é cristão apenas por crer em algumas verdades da fé, contribuir com o dizimo e comungar distraidamente aos domingos... Se comungar entendendo o que é eucaristia, logo nos engajaremos na ação de Jesus. Caso contrário, faremos parte daquele grupo que comunga e não sabe diferenciar o pão da eucaristia do pão da padaria, como lembra Paulo em I Cor 11,29.
Ser cristão é uma responsabilidade, comungar é uma conseqüência do ser cristão e exigência para ser mais cristão.... Agora, comungar e não produzir frutos, é ramo a ser cortado e lançado ao fogo... (cf. cap. 15 de João, do 01 ao 14)


[voltar]