
Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

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01.05
OS IRMÃOS DE JESUS
OS IRMÃOS DE JESUS.
Antes de Lucas escrever o seu evangelho, os fatos do evangelho aconteceram. No seu evangelho Lucas narra o encontro de Maria de Nazaré com sua parenta Isabel nas montanhas de Hebron. Após as boas vindas, iluminadas, de Isabel, Maria, invadida pelo Espírito desde o momento da anunciação (Lc 1,35.38) reconhece a presença extraordinária de Deus em sua vida e louva ao Senhor por isso (Lc 1,46-55). Nesta louvação, reconhecendo tudo o que Deus lhe fez, ela se sente instrumento de revelação do poder do Altíssimo e como tal, candidamente, revela esta grandeza de Deus ao dizer “Daqui para frente todas as gerações haverão de me proclamar bendita”...
Onde ela arranjou tal ousadia? Isso não é ato de orgulho?
Para quem lê como está escrito, e para quem entende como a Igreja sempre ensinou, Maria apenas agradece à fonte o que lhe vem feito, reconhece sua pequenez, recordando os grandes feitos realizados em vista do seu povo, cumprindo as profecias. Maria é apenas o capítulo mais expressivo desta série de bênçãos de Deus ao povo, como ela mesma relata no seu hino de louvor.
Então, desde que Lucas, Mateus e João escreveram os evangelhos, e conseqüentemente antes de escrevê-los, Maria tinha significado na vida dos apóstolos, da Igreja nascente como vemos em At 1,14.
A Igreja Católica, desde seu nascimento, na cruz de Cristo (cf Jo 19,34) sempre se entendeu como aquela que acolheu a Virgem como sua mãe (Jo 19,26).
Ao longo dos tempos foi se clarificando sempre mais esse reconhecimento da mãe, um pouco como o filhinho que sabe quem é a mãe, em todas as dimensões, à medida que vai crescendo.
A qualificação mais antiga que a Igreja colocou à Maria foi de ser Virgem, perpetuamente virgem. Antes do parto, depois do parto de Jesus.
E então, como fica a história dos irmãos de Jesus (Mt 12,46; Mc 6, 3; At 1,14, etc.)?
Comecemos com a explicação mais generalizada de que, no dicionário hebraico/bíblico a palavra “irmão” congloba parentesco de consangüinidade, ou seja, irmãos de pai e mãe, sobrinhos, e primos primos.
Mas é melhor pedir que a Bíblia explique a Bíblia.
Vamos ler um texto de Mc 6,3 onde são citados explicitamente alguns dos irmãos de Jesus: “Na é este o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão?”.
Agora vamos a outro capítulo de Marcos. Leia Mc 15,40: “estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Joset, e Salomé.
Nesta passagem última temos dois nomes de irmãos de Jesus que constam na citação de Mc 6,3: Tiago e Joset. Estes dois, nesta referência, de forma alguma são filhos de Maria de Nazaré, pois são filhos de uma outra Maria. Talvez a gente possa ter vários pais, mas mãe é sempre uma só. A conclusão que se impõe que “estes irmãos” de Jesus eram apenas primos.
Esta afirmação da Virgindade perpétua de Maria Santíssima faz parte da grande Tradição de fé da Igreja, está afirmada no Credo. Para a Igreja, este é o fato histórico. No AT todas as mulheres sonhavam com a maternidade na intenção de contribuírem e participarem de alguma forma na chegada do Messias anunciado. Maria realiza a expectativa e encerra os sonhos. E tendo um tal Filho, que lhe dá o sentido pleno de sua vida, é o “Filho do Altíssimo”, Maria não precisava de mais outros filhos para sua realização, uma vez que ela era a “serva do Senhor... para fazer a sua Palavra” (Lc 1,38).
Sobre a virgindade referentes ao casamento com José temos afirmações explícitas em Lc 1,27.34.37; Mt 1, 18).
Há quem, querendo anular o ensinamento da Igreja, apele para Mt 1,25: “Não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho”...E, no pensar destes, depois a conheceu (maritalmente). Por certo, esta frase não fundamenta a virgindade posterior, mas também não a nega. Mas temos frases bíblicas neste sentido. Lemos em 2 Sm que diante de umas criticas que Davi recebeu de sua esposa Micol, Davi justifica sua atitude e então “Micol, filha de Davi, não teve filhos até o dia de sua morte” (2 Sm 6,23). Não é dito que os teve depois da morte.
Quanto ao apelar para Lc 2,7 onde se lê que Maria deu à luz seu "primogênito" e não "unigênito", parece usar argumentação muito frágil. A determinação de Ex 13,2 sobre os primogênitos (de qualquer procedência) a serem consagrados ao Senhor não diz que tal lei deva ser observado quando nascer o segundo-gênito, ou até a menopausa para ver se ele de fato é o primogênito.
Em todo caso, é preferível ficar com a Tradição constante da Igreja, que une o hoje ao ontem original do nascimento do evangelho, como testemunha dos fatos, do que ler os mesmos evangelhos à distância de dois mil anos, como um livro que se retira da prateleira que contém em poucas páginas, décadas de histórias e a gente lê o passado com os olhos de hoje, sem ampliações arqueológicas, etc.
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