
Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

[veja mais fotos]

[conheça mais]
|
|
14.03
MECEPS e ENFERMOS
MECEPs E ENFERMOS
No texto de Mt 25,36 temos um dos itens que revelam nosso estilo de relacionamento com Jesus. Jesus nunca foi um mercenário quando atendia as pessoas, nunca viveu o espírito do funcionário que só visa os próprios interesses. Jesus viveu o amor personalizado com cada um que o procurou, a começar pelos enfermos.
Nos seis itens contemplados em Mt 25, 35-36, Jesus sintetiza plasticamente o jeito de amor ao próximo. Amar o próximo é copiar Jesus. Comungar na Eucaristia é ser enviado para revelar a comum-união com um Cristo que acolhe, ajuda, perdoa, partilha e ama o irmão.
O doente realmente enfermo, não o doente ocasional de um cirurgia, traz em si as marcas maiores do Cristo sofredor, abandonado na cruz, com os amigos à distância. Alguém que vai sendo esquecido ou contemplado como um peso social, econômico e familiar.
Diante de Cristo na cruz, muitos passavam e sacudiam a cabeça, outros se irritavam... E diante do Cristo crucificado no leito, “outros” que somos nós, o que fazemos?
O papa Bento XVI na SaC “chama a atenção de toda a comunidade eclesial para a necessidade pastoral de garantir a assistência espiritual aos doentes, quer estejam em suas próprias casas, quer se encontrem no hospital” (n. 58)
Por certo, o papa fala aí sobretudo de que eles possam receber a eucaristia, isto é, que possam ser visitados pelo Cristo, como o próprio Senhor foi à casa de muitos enfermos, por exemplo, na casa da sogra de Pedro. Ou acolhia as multidões sofridas que se pareciam a “ovelhas sem pastor”...
Por certo, essa eucaristia levada ao enfermo é momento de profunda consolação ao que a recebe estando em situação de profunda solidão.
Contudo, a pergunta a um Ministro da Sagrada Comunhão se formula nestes termos: você acha que fez tudo ao enfermo, levando á eucaristia a ele? Você é uma continuação do Cristo eucarístico que você mesmo recebeu, neste ato de entrar na casa do enfermo? Você é um conforto espiritual e afetivo para o doente? Ou você se parece com o agente de correio que imposta a carta na caixa de correios e se vai? Existe uma relação de família entre você e os enfermos de sua escala? Existem laços afetivos em que o enfermo se sente gente apesar de seus limites?
Por certo, na Eucaristia, temos a visita maior. Mas, por vezes, a fé ainda é frágil, e fragilizada pela doença; então, o ministro deveria ser este suporte da fé, deveria ser o veículo da acolhida humana que Cristo tinha para com os doentes do seu tempo.
Quantas vezes o enfermo fica na solidão, apesar da eucaristia recebida. E depois, da eucaristia do ministro, com regularidade vai o pastor fazer visitas de consolo, de oração, de apoio; e o doente sente o calor de alguém que está à sua frente... e quando se vê, já está em outro território de Igreja. Um exemplo clássico disso é a ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva. Católica bastante praticante até seus dezesseis anos. Numa doença prolongada, abandonada á sua sorte, alguém, de outra igreja, revelou o amor de Jesus com a própria presença. Hoje ela não mais é do nosso número.
S. Francisco de Assis lembrava aos freis de que tratassem os enfermos pensando no “como desejariam ser tratados se eles mesmos fossem os doentes”.
Não podemos pensar que somos bons ministros apenas distribuindo hóstias, se não incorporarmos em nós a atitude acolhedora, amorosa de Jesus. Primeiramente importa que em cada casa, se faça uma verdadeira celebração. E depois, além do dia de do Cristo ir ao enfermo pela eucaristia, o mesmo Cristo deve ir em outros dias, encarnado no ministro a que se destinou o enfermo.
E devemos ir estar atentos ao sacramento da Unção, que oferece especificamente ao enfermo o Cristo que visitava e confortava os doentes.
Seria bom ler Tg 5,14-15. Importa recordar que todo o enfermo em doença grave tem o direito de receber a Unção dos Enfermos.
[voltar] |