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02.Fev - TEMPO DA QUARESMA
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TEMPO DA QUARESMA



 “A Deus, ninguém o viu” é uma frase fundamental do dado bíblico. Mas o “Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14) é outro dado bíblico fundamental do NT e nós “vimos, ouvimos e tocamos o Verbo da vida” (I Jo 1,1-3) referencia uma especial experiência de fé. Pelos sinais que Jesus fez na história, concluímos com João a nossa fé: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome”...(Jo 20,31).


    Na esteira destas afirmações que se completam, Cristo revela quem é para nós: “Ninguém vê o Pai, a não ser o Filho, e a quem o Filho quiser revelar.... e, ninguém vai ao Pai a não ser por mim”...


   Importa, então, lembrar-se de que tudo o que falamos de Deus, o que colocamos no espaço da fé de nossas relações com o Deus bíblico, passa, necessariamente, pela mediação de Cristo.   No discurso no Sinédrio, Pedro é incisivo: “ Debaixo do céu não há nenhum outro nome pelo qual possamos ser salvos” (At 4,12). Nisto consiste o cristianismo, nesta mediação absoluta, única com Deus através do Cristo... Hoje, como ontem, a salvação se dá sempre pela mediação de Cristo, histórica, ontem, sacramental, hoje, mas é sempre ele o autor da salvação.  O mistério de Cristo sempre será mistério de um Deus em verdadeira humanidade, comunicando-se dentro do espaço do homem, revelando-se ao homem, falando ao homem.


   O mistério de Jesus, no ano litúrgico, nós o celebramos em dois momentos: no Natal e na Páscoa. No Natal, o mistério da encarnação. Jesus é esperado, celebrado e acolhido no seu ingresso na humanidade. Na Páscoa, nós o celebramos enquanto Redentor, Salvador, o Vivente, ao dar a vida em doação de amor perfeito ao Pai e à humanidade.  São os dois eixos da liturgia sobre os quais celebramos a nossa redenção e salvação. O movente central da liturgia, é sempre Cristo, seja nos sacramentos e especificamente na missa, seja no ano litúrgico. Não temos uma festa ao Deus Pai e nem ao Espírito Santo enquanto pessoa da Trindade. Os Apóstolos contataram com Jesus, o Cristo, e nele foram incluídos no mistério da salvação que é a vida dentro da Trindade.


   A Quaresma é este tempo especial que a liturgia nos oferece para acolhermos a redenção que Cristo nos ofereceu de forma especial ao morrer na Cruz. Devemos sempre nos lembrar de que a morte de Jesus não é um ato salvífico único, mas o ápice de sua oferta de vida em obediência ao Pai... A salvação do calvário é a fonte de onde brota o antes da Igreja (o mistério da eucaristia: corpo a ser entregue; sangue a ser derramado) e o depois (ide, batizai, ensinai a fazer... etc). A ação de Cristo acontece na Igreja permanentemente. Mas, nesse tempo de quaresma, dispomos de um tempo para refletir mais a fundo o processo de nossa identificação com o Cristo que, amando-nos, “amou-nos até ao extremo”, instituindo a eucaristia, síntese do seu amor que se dá na Cruz...


   Então, a Quaresma não é apenas um tempo litúrgico para comemorar os momentos finais da vida de Jesus, mas um tempo em que o cristão é desafiado a entrar no processo de salvação com Cristo... Costuma-se dizer que “não existe redenção sem sangue”, não existe salvação, sem amor... nem existe  perdão se não nos engajarmos na vida nova que brota do ser inserido no amor de Cristo que perdoa e manda perdoar...


   As múltiplas formas de penitência que são oferecidas ao batizado visam a motivar a cada um a se abrir à experiência do amor, do deixar-se amar para aprender a amar no amor de Cristo: “Amai-vos como eu vos tenho amado”....  E com uma finalidade bem explícita: “Participamos de seus sofrimentos para participar de sua glória” (Rm 8,17).  É o aspecto individual da Quaresma. Cada qual está chamado a esta participação. Mas existe também a dimensão eclesial; a Quaresma é um tempo em que Cristo purifica a Igreja. A Igreja tem consciência, iniciando a caminhada quaresmal de que Cristo concede a eficácia ao agir penitencial dos seus fiéis e de que, por força de serem membros do Corpo de Cristo, seus gestos penitenciais se transformam em ações de Cristo na sua Igreja. “Completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo, no seu corpo que é a Igreja”.



Fonte: Informativo Paz e Bem - Fevereiro 2010

Frei Fabiano Zanatta, OFMcap

Frei Fabiano Zanatta, OFMcap

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