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07.Mar - O JEJUM DE SI MESMO
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O JEJUM DE SI MESMO


 Todos os anos a Igreja nos fala, principalmente no primeiro domingo da quaresma, sobre as tentações sofridas por Jesus e nos propõe uma reflexão a respeito delas. E, no segundo domingo, fala-nos sobre a Transfiguração.


O texto de Lucas, que fala das tentações, capítulo 4, versículos de 1 a 13, conclui: “Tendo esgotado todas as formas de tentação, o diabo se afastou de Jesus para voltar no tempo oportuno.” E o que quer dizer “no tempo oportuno?” Primeiramente podemos considerar que é o tempo da Paixão de Jesus. “Se és o Filho de Deus, desce da cruz” (Lc 23, 35.39). Mas é, também, o tempo da Igreja. Tudo o que acontece com Jesus, acontece também com seu corpo que é a Igreja, que somos nós. Tempo da Igreja é o tempo que estamos vivendo, é o nosso tempo.


Quaresma, mais que um tempo litúrgico, é figura e símbolo do tempo presente, tempo em que se encontra a Igreja - nós todos - enquanto esperamos a Páscoa eterna.


O Evangelho do primeiro domingo da quaresma nos dá pistas de como vencermos as tentações. Em síntese: seguindo a Jesus. Ele jejuou; não comeu nada naqueles dias, e usou a Palavra de Deus, dizendo três vezes: está escrito.


Jejum de si mesmo


Queridos leitores, também somos tentados e, na oração do Pai Nosso, Jesus nos ensinou a rezar não para não termos tentação, mas para não cairmos em tentação. E como proceder para não cairmos em tentação?


Podemos combater a tentação com o jejum, com a escuta ou leitura da Palavra de Deus, colocando-a em prática, e com a oração. O texto bíblico que narra a Transfiguração (Lc 9, 28-36) começa dizendo que Jesus “subiu à montanha para rezar”. A Transfiguração foi o resultado da oração esperado pelo Pai.


Hoje, nos limitaremos a falar do jejum. Existe o jejum corporal, o jejum do mundo e o jejum de si mesmo. Há um jejum corporal negativo. Por exemplo: no início da quaresma a pessoa diz: vou aproveitar a quaresma para fazer jejum e eliminar alguns quilos. Isso não é jejum, mas sim regime. Ou então, alguém se propõe a ficar a quaresma toda sem comer chocolate. No final da quaresma, apresenta-se diante de Deus, cheia de si e de seu jejum, exigindo que Deus cumpra a parte D’Ele. Existe também o jejum corporal bom, conhecido e valorizado por toda a tradição cristã, que é aquele que leva a pessoa a deixar de ser o Centro do Universo.


O jejum do mundo, assim denominado pelos primeiros cristãos é mais profundo e espiritual. Consiste em não se conformar com a mentalidade do mundo. Renunciar às extravagâncias do mundo, às coisas supérfluas e inúteis. Na verdade, quando se encontra Deus, estas coisas perdem totalmente o encanto. Nos dias de hoje seria não se conformar com a mentalidade consumista, com a cultura do descartável. Este jejum, mesmo sendo mais profundo e espiritual, ainda é um jejum preparatório. O verdadeiro e essencial é o jejum de si mesmo. “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo” (Lc 9,23) Esta é a raiz a ser cortada se você quer corresponder ao Evangelho.


O caminho do Evangelho


Precisamos morrer para nós, entrarmos em questionamento conosco, pois o lugar ocupado por nosso eu egoísta e usurpador deve ser ocupado por Deus. Cabe-nos perguntar com muita sinceridade e não termos pressa em responder: Quem é a rocha de minha vida? Deus ou eu mesmo?


Somos a rocha de nós mesmos quando deixamos que nosso velho eu pecador nos domine, exprima juízos, julgue, guarde ressentimentos e rancores, aja por vingança, ceda à ira. Quando formos surpreendidos por estes estados, devemos cortar logo tais pensamentos e retratá-los, opondo a eles pensamentos contrários, pensamentos de amor, de pureza, de perdão.


Enquanto não cortarmos esta raiz que é o nosso velho eu, não avançaremos no caminho do Evangelho. Podemos até ser grandes ascetas, despojados de tudo, conhecedores da Bíblia, da Teologia, frequentadores do Templo, cheios de nós mesmos, de nosso esforço penitencial, mas vazios de Deus.


Uma experiência pessoal


Aproveito para relatar uma passagem da minha vida, com a finalidade de elucidar estas minhas colocações: no tempo em que residi no sítio com a minha família, eu e meu pai, certo dia, fomos arrancar alguns pés de café. Primeiramente removíamos todos os galhos; depois, com um enxadão e um machado, abríamos pequenas covas ao redor do tronco e cortávamos as raízes laterais. O tronco ficava flexível, movia-se para todos os lados, mas a raiz mestra impedia o tronco de ser retirado. Então, cortávamos esta raiz mestra e retirávamos o tronco.


Jejum corporal, jejum das coisas do mundo, fazendo um paralelo, é mais ou menos isso que relatei. É cortar as raízes laterais, caminho para se cortar a raiz mestra, que é o jejum de si mesmo. Este jejum é difícil de ser vivido, principalmente numa cultura individualista onde o nosso eu clama para que todas as vontades e caprichos sejam realizados. É difícil, mas é possível.



Fonte: Informativo Paroquial Paz e Bem - Março 2018

Frei Maurício Solfa, OFM Cap

Frei Maurício Solfa, OFM Cap

Frei Maurício Aparecido Solfa, OFM Cap

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