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09.Fev - Jesus saiu e foi para a região de Tiro
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Jesus saiu e foi para a região de Tiro

    As cidades de Tiro e Sidônia eram cidades pagãs, fronteiriças com a terra de Israel. O evangelho de hoje fala que Jesus se retirou, foi descansar nestas terras estrangeiras para “ficar escondido”. Ele era homem, cansava, necessitava de tempo para ele mesmo, “Entrou numa  casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava” (Mc 7,24).  Mas... quem faz o mal, é procurado pela polícia... e quem faz o bem, é procurado por todos os que necessitam ser amados.  Por isso, “não conseguiu ficar escondido”. 




   Neste contexto, “uma mulher pagã, nascida na Fenícia da Síria” saiu a sua procura, e encontrando-o “caiu a seus pés”, prostrou-se... gesto de quem reconhece a superioridade do outro e pelo qual espera acolhimento. O que desejava essa mulher?... um favor, mas não para si, e sim para sua filha. “Suplicou a Jesus que expulsasse o demônio de sua filha” (v.26). Em primeiro momento Jesus faz entender que sua missão ainda não ultrapassara as fronteiras de Israel, que ainda não era o tempo de universalizar a missão, e esta seria feita pelos seus discípulos. E neste contexto Jesus procura fazer luz sobre a situação  procurando mostrar para a mulher a prioridade de sua missão. Jesus fala, neste sentido, do direito dos filhos de serem saciados  primeiros, e não os cãezinhos... Mas, a mulher, muito rápida, aproveitou o gancho da comparação de Jesus e ampliou o discurso: “mas os cachorrinhos, debaixo da mesa comem as migalhas que as crianças deixam cair” (v.28)... mulher persistente, lúcida, e convincente... Fez Jesus mudar seu parecer inicial, atendeu a mulher pagã, que expressava capacidade de acolher o  Senhor tanto quanto os demais que habitavam a Palestina. E Jesus então se expressa com outro modo de falar: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha” (v.29). E a mulher não ficou insistindo para que ele fosse até sua casa. Acreditou, com simplicidade. E, voltando para casa,  “encontrou a filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela” (v.30). 




   Neste relato está implícita a universalidade da ação de Jesus, ainda que dentro da moldura do “homem Jesus”... retirou-se para descansar, saiu da sua terra e vai a um território estrangeiro... mas, não interessa onde ele está, em tudo o que faz, está sua condição de “Salvador”... ele é sempre o Salvador de todos os que tem boa vontade, de todos os que nele crerem... 




Salmo 69.09 




   Sabemos que os salmos brotaram da vida do salmista. Assim , temos salmos de grande alegria, de encantamento diante da ação salvífica de Deus,  de tristeza pelo mal na vida, e ainda diante de um grande sofrimento ou perseguição. 




   O salmo 69 se enquadra nesta dimensão da vida. Colocando a vida de Davi, como pano de fundo deste salmo, olhando os fatos, talvez seja possível ter o texto na moldura da rebelião de Absalão. 




    Lendo com atenção, nós nos situamos diante de um homem envolto em um grande sofrimento pessoal, e mais detalhadamente, sofrendo por sua fidelidade a Deus, por causa de sua fé. Nesse território da fé, a oração, que o suplicante se posiciona diante de Deus. E sofre, explicitamente por sua fidelidade a Deus, e nesta condição, ele julga que será ouvido por Deus. 




   O salmo é um tanto longa, em que aquele que se situa diante de Deus em oração  se revela como alguém que está em grande sofrimento, e sofrendo justamente por sua fidelidade à palavra de Deus. Nesta condição de que ele está ligado à causa de Deus, ele suplica salvação, libertação. 




  Após esse primeiro momento de súplica, o salmista volta a apresentar a sua causa  (vv.20-29) explicitando mais claramente a causa de seu sofrimento, ou seja, a maldade dos seus inimigos, e pede para que sejam destruídos, no sentido de que ele seja libertado do sofrimento. 




   E assim, neste momento de profunda oração, de confiança em Deus, ele pressente que a libertação dos males irá acontecer, então, sua oração não fica presa ao momento da dor, e chorar,  mas, se estende para o futuro. Então, sua prece se transforma em hino de louvor a Deus... E é uma oração de visão mais ampla do que apenas a vida do suplicante. Ele se sente parte do seu povo, não é um sofredor avulso, sofre com seu povo e espera a libertação de Sião, e assim todos os membros do “povo de Deus” louvarão o “Deus salvador”. (vv.30-37). 




    O salmo é uma oração atribuída a Davi, em grande momento de sofrimento e solidão, e que, em muitos versículos podemos ler a condição de Jesus, mas nem tudo por ser aplicado a Jesus “o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1 Pd 222), pois, Jesus, na cruz, mostrou compaixão para aqueles que o crucificaram (Lc 23,34). 




   Mas, sempre pode ser rezado contemplando o Senhor Jesus na cruz: Por alimento me deram fel, e na minha sede me deram a beber vinagre (Mt 27:34.48; Mc 15,23,36; Jo 19,28-29). 




     O salmo é um tanto longo, em número de versículos, mas, olhando com atenção, temos blocos de versículos em que cada bloco explicita uma das necessidades daquele que esta sofrendo. É um salmo que descreve o sofrimento humano em sua totalidade, mas também, diante de quem se confia a Deus, sabe que tudo tem sentido, que importa semear para fazer a colheita... e semear dá trabalho.  




  Assim, quem se descobre necessitado, limitado, criatura, aprende a colocar sua fidelidade em Deus, porque sabe que “Deus é fiel e “cheio de compaixão”, e nele sempre há refúgio, segurança, salvação. 




    O salmo nos ensina a olhar para o Senhor Jesus quando as nossas aflições parecem nos afogar, e se transformam em condições de nos aproximarmos mais profundamente do Salvador. 




   Nós vivemos numa época em que todo desaforo, desprezo, nos leva a um advogado para condenar nosso opositor...e por isso, sofremos inutilmente, desamparados, apenas protegidos pela lei dos homens. Por certo, as leis dos homens são necessárias, e estão a serviço do próximo, mas nem sempre chegam na hora certa.   E então surgem condenações “injustas” pela língua do outro, pela concorrência de terceiros, e nós somos os prejudicados. Mas, em qualquer circunstância, independente das condições sociais, importa que o coração esteja em paz com o Deus de nossas vidas. Não podemos nos safar de toda injustiça humana, mas podemos viver nossa existência sob a mão de Deus que conhece e salva os necessitados. 




 



Fonte: Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

Frei Fabiano Zanatta, OFMcap

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