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14.Fev - Estás vendo alguma coisa?
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Estás vendo alguma coisa?

    Em  cada momento de sua vida, em cada gesto que Jesus realizava, nós vamos descobrindo em seu agir, sua condição de verdadeiro homem, que vive um processo de vida em que vai revelando o agir misterioso de Deus em cada situação...  




 E em muitos milagres, nós vemos o lado humano de Jesus que revelava essa sua condição  de homem  “que crescia em tamanho, idade, graça, diante de Deus e diante dos homens” ()... Importa entender profundamente esse “verdadeiro homem” que é Filho de Deus... Ele vai rezar: “Pai, afasta de mim esse cálice!”... e ainda: “Pai, por que me abandonaste?”.. 




  O texto da liturgia de hoje, Mc 8,22-26., o cego de Betsaida, é um tanto complexo, mas nos ajuda a entender o processo de crescimento na fé. Alguém tomou a iniciativa de conduzir o cego até Jesus. Há uma manifestação de solidariedade. Sem uma ajuda, o cego não vai a lugar algum... E ainda, não só o conduziram a Jesus, mas suplicaram a Jesus “que tocasse nele”... claro, o cego não via, e a comunicação só seria possível pelo toque, e sem dúvida, por um toque “que trazia uma força” renovadora (cf.). E neste relato, temos um processo de conversão para a fé, dentro da realidade da doença do cego. Jesus  retirou o cego do meio das pessoas, e o levou para um lugar isolado. Jesus cuspiu nos olhos do homem, e “pôs as mãos sobre ele”... Cuspir, para nós, é algo de nojento, repelente. No contexto bíblico, o cuspe representava algo que brota de dentro do homem, e cuspir sobre o outro seria como que comunicar algo de si ao outro. Igualmente, colocar as mãos sobre o outro, implicava em abençoar. Então, aqui, Jesus realiza dois gestos de profundo acolhimento do cego. Após esse cerimonial, Jesus perguntou ao cego: “Estás vendo alguma coisa?... ao que o homem respondeu: “estou vendo homens... parecem árvores que andam” (v.24)... Temos neste detalhe um processo catequético, metodológico. A fé não vem repentinamente, o homem nasce pequeno e depois vai crescendo... 




   Na sequencia, Jesus “voltou a pôr a mão sobre os olhos e ele passou e enxergar claramente” (v.25). 




   Então, sim, neste último gesto/momento o sujeito passou a enxergar “todas as coisas com nitidez” (v.25).  




   Somente então Jesus mandou o homem para casa, isto é, depois de ter ajudado o necessitado... porque, muitos vezes alguém nos pede uma ajuda, e o despachamos de mãos vazias... 




E ainda uma determinação: Jesus “mandou o homem para casa e lhe disse: “Não entres no povoado! (v.26). Embora, Jesus curasse todo tipo de doença, ele não curava para ser aplaudido. Sua missão era ensinar, um “ensino que trouxesse a salvação”, também do corpo enfermo, mas não visava angariar aplausos... Aplausos, de verdade, somente após a ressurreição. 




Salmo 73.-14 




   Desde que o mundo é mundo, o homem nasce, situado numa pisa que se abre em duas estradas: “Coloco diante de você o bem e o mal... escolhe!”. Essa é a condição d ser humano, dotado de liberdade olhando o futuro com para escolher entre o bem e o mal. 




   E a oração dos salmos apresenta o homem, nesta ótica, seguindo a luz do alto, ou sendo um refratário à presença do Senhor na própria vida... um pouco como Judas Iscariotes... 




  O salmo 73 começa com uma afirmação, uma tese: “De fato, Deus é bom para Israel, o Senhor, para os corações puros” (v.1)... 




   Mas, Deus deu “a terra ao homem” (Gn) para que a administrasse, e este se rebelou, quis se apossar daquilo que era apenas o espaço de seu crescer humano e espiritual. Então, o pecado de rebeldia de Adão contagiou sua descendência. E cada homem “torna-se um Adão” para si mesmo, devendo escolher o bem e o mal... mas o patrocínio do “velho Adão” se faz muito forte. 




   Cai matou um inocente. E então o salmista mostra o homem que corre o risco de tropeçar, como Adão, “porque invejei os arrogantes, vendo a prosperidade dos ímpios” (v.2). Palavras expressiva de atitudes que verificamos todos os dias, em nossa vida:  “invejar... arrogantes... prosperidade dos ímpios”.  De alguma forma, podemos enquadrar neste espaço, aquele negociante de trinta moedas de prata,  que depois, descobrindo o erro de sua vida, se enforcou... 




   O salmista descreve essa felicidade do momento, porque “para eles não existem tormentos, sua aparência é sadia e robusta” (v.4)... com frequência, nós vemos na “telinha” desfiles de gente com boa aparência, sadia, robusta, ganhando medalhas pela beleza de seus corpos... para essas pessoas “a fadiga dos mortais  não as atingem” (v.5) 




   Importa observar que o salmo coloca uma certa “alternância” entre os que praticam o bem e os que praticam o mal, há um “de fato... Deus é bom para Israel” (v.1)... que só faz o bem. E segue o um  “por pouco... porque invejei os arrogantes... e a prosperidade dos ímpios”  (v.vv.2-3).  O salmista viu sua fé em conflito, parecia não entender a realidade, onde ele fazia uma experiência de que os maus pareciam se sair sempre melhor... e essa sensação o incomodava e contradizia o que falava  no início do salmo: “Deus é bom para com Israel” (v.1)...  conflito, que muitas vezes  acontece em nosso dia a dia, vendo os ladrões se saírem bem.  Esquecemos que o Senhor “ passou a  vida fazendo o bem”, e inocente, “foi pregado na cruz”... Fica aquela decepção de que “inutilmente conservei puro o meu coração, lavando na inocência minhas mãos” (v.13) Nem sempre, Batizados que vivem bem sua vida cristã, nem prosperam materialmente... a fé é um jeito de se viver acumulando amor para a eternidade, e não para se ter  




 A conta bancária é sempre esforço do homem, e devemos mantê-la, mas ela independe da fé... em todo caso, que ela não seja soma de roubos. 




   No passado se falou da “teologia da prosperidade,e que enganou muita gente. Em qualquer situação, importa seguirmos a trilha de Jesus, que sempre foi bom, e viveu alegrias e tristezas, traições e acolhidas, e “tendo amado os seus...” terminou na cruz. 




   No Calvário, a cruz de Cristo estava situada no meio de outras duas. Cada um dos condenados vivia o mesmo sofrimento. Um viu na cruz do centro, a salvação. E o outro, viu um “inútil” filho de Deus que não se salvava da cruz.... Sempre a realidade da vida, duas estradas  diferentes: “Coloco diante de você o bem e o mal: Escolhe!” (Eclo.). 




   E o salmista conclui sua prece, após percorrer os caminhos da vida, de forma sensata: “Então, refleti para compreender... (v.16): “Quanto a mim, o estar junto de Deus é o meu  bem!. Em Deus coloquei o meu abrigo 



Fonte: Frei Fabiano Zanatta, OFMCap

Frei Fabiano Zanatta, OFMcap

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