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01.Mai - MARIA, PEREGRINA DA FÉ
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MARIA, PEREGRINA DA FÉ



“Maria resplandece como a peregrina da fé que vive a maternidade física, o discipulado do seu Filho, o serviço do Senhor e a maternidade espiritual” (Fr. A. Frelich).


Maria era a peregrina da fé porque não sabia de tudo. É um equívoco imaginá-la livre das dúvidas da fé como se ela soubesse, de antemão, o que ia acontecer e o significado dos fatos. Como todos os mortais, ela precisava fazer a travessia da fé entre incertezas e dúvidas, sempre se perguntando qual era o projeto do Pai. Na penumbra dos acontecimentos e na obscuridade dos fatos, ia discernindo a vontade do Pai. Não tinha revelações infusas que explicassem o que acontecia em sua vida. Totalmente abandonada nas mãos do Pai, aceitando tudo na fé, mesmo sem entender, repetia, sempre, como um mantra: ”faça-se”. Os evangelistas registram  a admiração dela diante da visita  dos pastores e das palavras de Simeão. Ficava maravilhada porque não entendia o significado e o alcance dos fatos e das palavras. As muitas interrogações que surgiam em seu coração a faziam crescer na fé e na busca do entendimento: “conservava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2, 19).


Aos doze anos, o menino se “perdia” no templo. Foi um tempo interminável de sofrimentos, angústias, sentimentos de culpa. Alternavam-se em seu coração momentos de desespero, de esperança, mas jamais perdia a fé e continuava a abandonar-se e a dizer: “faça-se”. Quando parecia tudo terminar na alegria do encontro, esta logo era obscurecida pela resposta cortante do filho que podemos interpretar mais ou menos assim: “Não devo satisfação a vocês, mas somente ao meu Pai; não sabiam disso, porque me procuravam? Aonde mais poderia estar senão na casa do Pai”? (Lc,2, 49).


Acontecimentos estranhos, respostas intrigantes, Maria não entendia, seu interior estava confuso, a razão se calava, mas no seu espírito se abandonava ao Pai e continuava a meditar, procurando entender.  Não se tratava de resposta grosseira do filho. Pelo contrário, na sua pedagogia, ele a estava preparando para a principal maternidade, a espiritual. Embora não estivesse deslumbrada com a maternidade biológica, ainda não estava preparada para outra maternidade. Tratava-se de outra gravidez muito mais difícil. Era preciso conceber no coração a vontade do Pai e fazê-la nascer em atos concretos na sua vida. Rompia-se a ligação de parentesco para se formar um vínculo muito mais sólido. Desde o inicio da sua missão, Jesus se desligou da família para estar mais livre para anunciar o Reino. Era uma ruptura difícil e dolorosa, sobretudo para a mãe que percebia que o estava “perdendo”, não seria mais seu, não estaria mais em sua casa. Era a espada que cortava profundamente,  mas ela, esquecendo-se das honras de mãe, tornava-se a mais fiel discípula do filho. Ela entendia mais do que outros que era preciso romper os vínculos familiares para seguir o Mestre. Tornava-se clara para ela a difícil condição proposta  por Jesus para segui-lo:” Se alguém vem a mim sem me preferir ao seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26). Ele já era seu filho, mas ela não podia ficar apegada a ele com um amor carnal. Nascia outro vínculo, um amor mais sólido que consistia em fazer a vontade do Pai  (Lc 8, 21).    O querer da mãe começava a projetar-se no querer do filho. Ambos se encontravam no Pai, perfeitamente identificados. Tudo  exigia da mãe um doloroso sair de si mesma e abandonar-se nas mãos do Pai. Mas, o momento supremo em que se firmava definitivamente a sua maternidade espiritual foi aos pés da cruz quando ela morria como mãe física junto com o filho e nascia como uma grandeza extraordinária, como mãe da Igreja e da humanidade.



Fonte: Informativo Paz e Bem - Maio 2010

Frei Justino Stolf, OFMcap

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